Os Lordes Sátiros 1 - Nicholas

Uma dose de conhaque #01 – Os Lordes Sátiros 1 – Nicholas

Por | 03/01/2014 | Sem Comentários

+18

Estamos aqui para falar de literatura fast-food que seria o tipo que fornece prazer rápido e que foram popularizados com os ó-tão-conhecidos livretos de banca discretamente consumidos por inúmeros seres desta nossa realidade.

De alguma forma esse tipo de literatura (se é literatura mesmo ou não deixo para os categóricos decidirem) se mesclou com outra bastante popular: os romances sobrenaturais.

Este que dissecarei se chama Os Lordes Sátiros (Lord of Satyr) e Nicholas é o primeiro de uma série que hoje tem 7 volumes e talvez se estenda até que Elizabeth Amber – sua autora – se canse ou faleça.

A história se passa em mil oitocentos e algo e fala sobre um grupo de irmãos que são a última linhagem de uma raça de sátiros, estes além de não possuírem as originais orelhas e rabo de asno/carneiro são chamados de Lordes e protegem a delimitação da terra com o Else World – ou seja, o mudo dos seres fantásticos.

Como essas criaturas míticas que originalmente eram apenas coadjuvantes barbudos e de vida mansa que se embriagavam, tocavam música malfeita e transavam bastante pelo mato (provavelmente os antepassados dos hippies, só que com vinho) enquanto saltitavam em volta de Dionísio e Pan se metamorfosearam em homens de queixo quadrado, pele morena e barriga tanquinho infelizmente não é explicado nesta saga.

O fato é que nesta história os protagonistas são três irmãos que possuem uma vinícola extremamente famosa e de alta qualidade na Toscana (eu sei, pelo menos eles não são estadunidenses) e estão vivendo suas vidinhas mágicas nada medíocres até que recebem um ultimado do rei de Else World que está moribundo, ele manda uma carta dizendo algo como:

– Casem-se e procriem meus filhos! Eu tenho três filhas espalhadas pelo mundo (a compatibilidade matemática do velho é quase mediúnica) e é o dever de vocês como guardiões protegê-las.

– Ah, já que estamos nisso como elas são semi-fodas (digo, semi-fadas) uma mão lava a outra, vocês têm seus herdeiros e eu também.

Com o chamado para a aventura aceso e piscante o Nicholas do título sendo o primogênito e chefe da família parte primeiro em busca de sua futura esposa. Isso sem nenhum ódio no coração já que não é preso ao “uma mulher para um homem” envolvido na matéria casamento.

E se você não conhece este tipo de história deixe-me explicar:

Na sua quase completa maioria estas séries funcionam assim: somos apresentados a um grupo de homens qualquer e, no primeiro volume, o personagem principal é o líder deste grupo retratado. É ele quem vai nos introduzir (HÁ HÁ) na nova realidade já que tem maior autoridade e as regras estão sendo mostradas ao leitor(a) pela primeira vez.

Honestamente essa peça aqui não é tão ruim não, lendo a quantidade de trasheiras que eu já li, este até que é interessante. Gosto de se tratar de uma história de época sem pesar demais em detalhes específicos e a autora em geral não é ruim também. Não quis dizer que é boa, entenda, ela só é… hum… Imaginativa.

A narrativa prega uma leve peça ao demorar a apresentar a heroína da história e, quando esta aparece, está rolando os olhos para uma situação que também me faria fazer o mesmo. Infelizmente logo decepciona com a reação exagerada ao encontrar Nick pela primeira vez – é só um metro e noventa e oito minha amiga! Ou seja, apesar de a autora tentar se diferenciar de suas colegas de trabalho, ainda insiste em alguns erros que comumente me irritam no gênero.

Apesar da história não fugir do lugar comum, a futura rainha do castelo Jane até que dá um trabalinho para o pedaço de mau caminho, que emana perigo (todos eles emanam perigo, fico me perguntando se é um tipo de perfume…).

Depois de algum corre-corre a fim de definir os personagens melhor do que só uma simples descrição física – que talvez valesse o mesmo tanto – passamos para o vamos ver e Nick finalmente leva Jane de Trivoli em Roma para seu castelo na Toscana (cada irmão Satyr tem um castelo próprio, veja bem).

Quando eles se casam e consomem o matrimônio é de forma rústica no pior sentido possível e deixa a pobre moça chateada – parece que nem o protagonista gostou muito. Apesar de ser preciso historicamente falando, a minha experiência ao acompanhar o processo provocou náusea acompanhada de praquejações. Indiferente às minhas reações, a situação se repete algumas vezes até que o leitor tenha vontade de queimar o livro em um jato de fogo do inferno, antes que a destemida e inexperiente Jane descubra que Nick tem várias amantes com quem realmente se diverte no sexo. Assim sendo, pede a ele que a transforme em sua amante e este logicamente cai dentro de tal forma que acaba ficando verdadeiramente de quatro por ela, afinal o que é sexo com seres sobrenaturais sem o amorrrrrrrrr?

A surpresa do livro vem da inusitada situação provinda da Lua Cheia: os irmãos sátiros tem uma transformação física, que faz crescer um segundo pênis em seu ventre no ângulo certo para uma dupla e perfeita penetração em qualquer feminina vítima ao seu alcance, já que se transformam – muito certamente – em bestas feras do sexo sem sinal de raciocínio que fodem até quase matar sua parceira de tantas descomunais gozadas. E no final? Um tipo de rabo médico de aparência alienígena saí da bunda do rapaz e baba em toda a genitália utilizada e machucada da garota, como a gosma é mágica na manhã seguinte tudo fica novo em folha. Viu? Eu disse. Imaginativa.

E assim, com esta visão um tanto particular, eu termino dizendo: consuma o livro. Ele atende os requisitos para que foi criado.

PS: Somente disponível em e-book.

Detalhes:

– Não gosto das ninfas não sentirem dor nem prazer, apenas serem seres úmidos que falseiam a voz – que desperdício!

– Os Satyr encontrarem as semi-fadas pelo odor, de onde saiu isso? Qual a lógica? Se ainda fosse algum metamorfo ou vampiro… Ler mentes também ficou forçado, por que ele só não deduz de acordo com a reação dela?