UM FANTÁSTICO MEDO DE TUDO

Por | 10/06/2014 | Sem Comentários

Simon Pegg protagoniza essa psicomédia em que interpreta Jack, um escritor de livros infantis. Vive recluso dentro de seu apartamento em constante paranóia, sempre com uma faca de carne empunhada na mão para se defender de um possível assassino. Ele chegou nesse estado devido aos anos de pesquisas escrevendo tópicos de série para TV sobre criminosos vitorianos hediondos. Porém não consegue “vender” esse seu roteiro devido o sucesso de sua história infantil.

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Após sua assessora arrumar uma reunião com um produtor que está interessado em seu trabalho sobre serial killers, Jack aceita ir após certa relutância, mas desespera-se quando descobre que não tem nenhuma roupa limpa para vestir. Nesse momento descobrimos outro de seus medos – fobia de lavanderia.

Na sequência acontecem as duas cenas mais hilárias quando tenta incorporar um gangster e em seguida um rapper para criar coragem e convencer a si mesmo que é capaz de superar seus “monstros” (acho que voltei umas três vezes e sempre dando risada) com a ajuda de uma boa trilha sonora.

Seguindo, o cenário muda de seu apartamento para a lavanderia e o tom dramático fica mais cômico com Jack ainda com a faca na mão escondida tentando lavar suas cuecas e meias, mas não sabe como a máquina funciona. Nesse local nos é apresentada Sangeet (Amara Karan) a quem Jack se sente atraído.

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Apesar de fazer mais comédias ou papéis de sidekicks, creio que Simon Pegg é um daqueles que conseguem “se virar” em qualquer gênero e em Um Fantástico Medo de Tudo ele está totalmente surtado indo da inocência ao neurótico.

Além da referência óbvia que o filme faz em relação ao Jack The Ripper, nas cenas externas o diretor propõe um cenário escuro, úmido e sujo lembrando as ruelas do distrito de Whitechapel. Tem também uma pequena homenagem ao clássico Psicose.

O filme inteiro é uma analogia com sua história infantil sobre um ouriço que supera várias adversidades com referências freudianas servindo de pano de fundo para o que parece ser uma terapia para Jack. Em contrapartida o diretor tenta dar a impressão dele ser um possível personagem com tendências psicopatas.

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Passando a parte da lavanderia o roteiro caminha para a última “sessão” em que Jack encara sua maior aversão preso em um porão. Nesse ponto é revelado os motivos de forma terapêutica mostrando a diferença entre medo e fobia, em uma comparação bastante convincente.

Não me agradou muito essa última parte porque acabou caindo o peso infantilizando um pouco os propósitos dos personagens, porém o seu desfecho não deixa abertura a suposições finalizando bem o arco inicial, e é sempre válido assistir algo que lhe faça dar algumas risadas e pensar ao mesmo tempo.

Ano: 2012

Roteiro: Crispian Mill

Diretor: Crispian Mills, Chris Hopewell