The Walking Dead

Por | 04/02/2014 | Sem Comentários

Esta foi minha primeira experiência jogando algo com temática de zumbis. Aliás, esse foi meu primeiro jogo de “susto” já que sou prática e não tenho vergonha de dizer que tanto minha falta de habilidades quanto meu medo genuíno prejudicam em muito meu desempenho.

Geralmente nestes casos gosto de me sentar lá atrás enquanto acompanho quem quer que seja que esteja com o controle, quase como se tivesse assistindo a um filme. Esse “quase” provém de minhas interferências em voz alta quando sugiro alguma ação ou aconselho de outra forma, coisa que imagino ser extremamente irritante para algumas pessoas. No entanto ainda assim me divirto.

E me diverti mais do que nunca com The Walking Dead por que para a minha sorte este jogo é mais focado na trama do que na ação. Os personagens originais que encontramos na história coexistem no mesmo universo apocalíptico dos quadrinhos criados por Robert Kirkman e, conseqüentemente dos da série de televisão.

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Lee acompanhado de outros personagens do jogo

 

Apreciei bastante os criadores terem se livrado da responsabilidade pesada que seria assumir todo o universo original da história, com seus personagens já criados e reinventados. A chance de algo sair aquém do esperado seria grande, além de que obviamente perderiam grande parte das possibilidades trazidas pela criação e consequente interação de novos e desconhecidos personagens. Ainda mais em um jogo em que justamente a interação pesa tanto.

Acompanhamos através de um traço bastante característico o protagonista Lee Everett desvencilhar-se da prisão no estado da Georgia após um acidente com a viatura que o transportava, resultando em um policial morto e logo após ressurecto em forma de um walker, como são conhecidos os zumbis nesta realidade.

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Cercados por walkers

 

Ao procurar abrigo em uma casa próxima Lee acaba encontrando uma garotinha que havia sido deixada aos cuidados da babá enquanto os pais viajavam e, com a aparição dos mortos-vivos, vê-se desamparada. Em primeiro momento torci o nariz com a chegada de Clementine, a perspectiva de arrastar a criança durante todo o jogo me cansou antecipadamente até que para minha surpresa percebi que a personagem não era daquelas criaturas chatas e choronas, na verdade ela acabou trazendo para a história um tom provocativo.

Explico: As escolhas que damos a Lee em The Walking Dead são todas repletas de embasamento moral que afetam a ele e Clementine não só momentaneamente, mas ao decorrer da história. Isso por que diante das diversas situações, a opinião que os outros personagens têm de nós é extremamente importante e com uma simples escolha errada de palavras podemos tornar alguém nosso inimigo mortal.

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Lee e Clementine

 

Dentro disso imagino que não seria tão divertido atravessarmos os cinco episódios em que são divididos o jogo, sem termos ao nosso lado alguém que nos fizesse pesar as reações do protagonista. Convenhamos, a maioria dos jogadores gostam de oportunidades como esta para bancarem os “badass”, mandando o senso comum que tanto chateia a realidade que vivemos para o espaço.  Clementine de forma sutil nos faz repensar esta atitude.

Essas escolhas são bem malditas às vezes, a bem dizer, tanto que algumas continham um cronômetro que quase faziam meus dedos escorregarem do controle. Sim, eu morri várias vezes enquanto jogava – mesmo que não existam tantas oportunidades assim. Felizmente após cada uma delas o jogo recomeçava sem problemas um pouco antes do acontecimento e eu podia tentar de novo.

O tempo todo somos levados pela curiosidade e pelos desafios de cada episódio sem nos chatearmos com algo inalcançável a ser conquistado, enquanto desconfiamos de alguns do grupo e conquistamos a confiança de outros executando tarefas ou distribuindo itens colhidos ao redor, geralmente comida.

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Opções de diálogos

 

Neste sentido todo o jogo foi muito bem trabalhado pelos roteiristas, por que fora o ritmo constante e as interações dos personagens serem tão criativas, não me senti em nenhum momento forçada pela história. Não tive que agir de alguma maneira que não concordava pra continuar o jogo, por exemplo, e achei esse detalhe específico muito importante. A liberdade de escolha aqui nos aproxima dos acontecimentos de tal forma que realmente passa a impressão que estamos atravessando aquelas experiências tumultuosas.

E tive grandes surpresas por todo o caminho também, sendo que a história não pende ao óbvio.

Ao final, querendo ou não, colhemos os resultados de nossas decisões prévias em um emocionante fechamento.

Também conhecido como The Walking Dead: The Game e/ou The Walking Dead: Season One o jogo foi desenvolvido pela Telltale Games que foi escolhida pelo criador dos quadrinhos Robert Kirkman justamente pela ideia de enfoque no desenvolvimento dos personagens em vez da ação ou da resolução de problemas, mantendo o tom da obra original.

Lançado em 2012 de modo a engatar com o final da segunda temporada do seriado de televisão, foram disponibilizados primeiramente por episódios entre abril e novembro deste ano, antes do jogo completo.  Atualmente disponível para Xbox 360, PlayStation 3, Microsoft Windows, iOS, OS XPlayStation Vita e Kindle Fire HDX.

Foi grande sucesso de público e vendas e ganhador de diversos prêmios de “Jogo do Ano” de modo que houve o lançamento de um episódio adicional em julho de 2013 chamado 400 Days, a fim de fazer uma ponte entre a primeira temporada do jogo e uma próxima que está em desenvolvimento. Agora é só esperar.

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