The Day the Laughter Stopped

Por | 20/01/2014 | Sem Comentários

Eu peço que entre no link seguinte para jogar esse jogo antes de continuar lendo o texto por ele ser um jogo “complicado” de descrever sem spoilers, não tomando mais que 10 minutos do seu tempo. Assim que o fizer verá que eu continuo a escrever tentando explicar alguns objetivos do criador. O jogo só se encontra em inglês e se faz necessário um conhecimento mediano por se tratar de um narrativa feita completamente em cima de um texto. Para quem quiser não vejo problemas em usar o tradutor do google.

http://hypnoticowl.com/theday/play/

Qual foi a sensação? Impotência?  Calafrio? Raiva? De ser estuprado?

Hannes Flor “Crabman” (sim, um homem) criou esse jogo no Ludum Dare 28, uma game Jam onde alguém ou uma equipe precisa criar um jogo do ‘zero’ em 48 horas, sobre um tema escolhido por votação do público que nessa edição foi “você só tem um”. Ele trata de um assunto sério, um crime grave que infelizmente ainda acontece.

The Day the Laughter Stopped (O Dia Que Acabaram As Risadas) é uma história baseada na experiência passada por uma amiga do criador, mas com elementos ficcionais como um livro biográfico.

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Hannes Flor “Crabman”

No começo da história, acreditamos ter total controle de uma garota de 14 anos, mas as poucos vamos notando que nossas escolhas não fazem nenhuma diferença – isso não é um acidente. Primeiro de tudo, você não está jogando, e sim interpretando uma personagem que age de acordo com sua natureza, só escolhe as nuances de suas reações porque o resultado acaba sendo o mesmo. A ideia é você não alterar o resultado, porque não é sua culpa (no caso da garota que passa por isso). Isso não acontece por sua causa, acontece porque ele quer.

A história continua, você conhece um rapaz mais velho na escola, logo se tornam amigos, ele te convida pra sair, se sente obrigada a beber, sente algo na sua boca, algum tempo passa, ele faz outro convite, você vai com receio, sente algo entre suas pernas…

Nas perguntas finais onde você pensa ter encontrado um bug no jogo. Sim, você está certo, porém um erro proposital onde por mais que queira escolher outra saída… Não há. Isso é um outro ponto importante, outra mensagem do autor sobre a dissonância entre o que você quer fazer e o que é capaz de fazer. Ela não queria que nada disso acontecesse. Queria detê-lo, lutar contra ele, mas ela não conseguiu – congelou. Isso quer dizer que não foi estuprada porque não o impediu ? Não. Foi estuprada e ele tinha consciência do que fazia, só não importava pra ele o que ela queria.

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Ele não é um jogo de entretenimento, viciante, muito menos terá algum DLC, mas atinge seus objetivos trazendo em pauta um tema pesado e recorrente. Sua intenção era expressar o fato de que o infrator acaba tendo mais vantagens e o benefício da dúvida em relação a vítima, porém algo não captado muito bem pela perspectiva que nos é colocado. Um jogo com cunho social que valoriza ainda mais essa mídia.

Sobre o final do jogo, basta dizer que não é o fim da dor, palavras do próprio Crabman que talvez resolva essa questão em outro jogo, por isso ele não te dá direito de jogar novamente e tentar mudar o que aconteceu, para viver com essa sensação.

“Não tem recomeço. Isso Aconteceu.”