F.A. #07 – REFLEXÕES DE UM LIQUIDIFICADOR

Por | 10/03/2014 | Sem Comentários

O filme se inicia com Elvira (interpretada com propriedade por Ana Lúcia Torre) fazendo um boletim de ocorrência sobre o desaparecimento de seu marido Onofre há alguns dias, porém ela passa a ser a principal suspeita depois de interrogada pelo delegado.

Todo o clima do começo entrega que realmente ela o matou e usou o seu liquidificador em algum momento e não é difícil de adivinhar “como”. A maioria das cenas se passam na cozinha da casa, onde Elvira conversa com o aparelho (sim, é isso mesmo) que tem a voz dublada por Selton Mello.

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Depois disso o roteiro volta para nos contar o que aconteceu até esse ponto o que levou ela a matá-lo, que aquela senhora assustada do início teria sim coragem de fazer o que fez (ela faz alguns “bicos” de taxidermia para ganhar uns “trocados”). Também é revelada toda a trajetória do liquidificador desde a época que era usado para fazer vitaminas e sucos variados no bar que o casal era dono, até ser cúmplice de um homicídio e começar a falar.

Outros personagens que aparecem são: a vizinha gostosa a qual o seu marido morre de ciúme e toda a vez em que ela aparece tem sempre uma conversa com conotação ao sexo; o carteiro fofoqueiro e o investigador do caso.

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Daí pra frente dona Elvira tenta voltar a sua vida normal sempre conversando com seu companheiro de crime. O liquidificador tenta acalmá-la sempre que o investigador aparece para interrogá-la.

O roteiro não deixa nada sem ser respondido, ele faz várias comparaçõe entre o modo de agir dos aparelhos e do ser humano sempre da perspectiva do liquidificador (homem e máquina). Os objetos da cozinha se transformam em coadjuvantes, assim como o barulho do ponteiro e o gotejar da torneira que somam na narrativa. O que me leva a ressaltar a parte do som que de uns anos pra cá as produções nacionais estão acertando em sustenido.

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O roteiro é original escrito por José Antônio de Souza, porém me pareceu em muitos momentos estarem me descrevendo alguma adaptação e muito bem descrito pelo estilo da lente do diretor André Klotzel. Na minha opinião, algumas cenas acabaram ficando um pouco exageradas como a cena da praia, ou a as vezes em que o investigador aparece com suas suspeitas. Fiquei imaginando essas partes lidas num livro, talvez teria um contexto mais palpável e criaria um suspense maior. Não que um liquidificador falar não seja exagero, mas nesse caso já penso ter um resultado melhor no vídeo.

A trama de Reflexões de um Liquidificador é de longe descobrir o(a) culpado(a), e sim mostrar todo o processo que levou a pessoa movida a um sentimento (fator que um aparelhos não têm) a agir dessa maneira. crime em si é solucionado com todos os detalhes, porém…

 

Ano: 2010

País: Brasil

Diretor: André Klotzel

Roteiro:  José Antônio de Souza