Hora da aventura

Por que assistir Hora da Aventura?

Por | 23/01/2014 | Sem Comentários

Se você por algum motivo ainda não faz parte do extenso grupo de telespectadores desse desenho animado, quer um conselho? Assista! Não é nenhuma hipérbole irresponsável quando digo que tem sido o que acontece de melhor na animação ocidental nesses últimos cinco anos na televisão, tanto que se tornou um fenómeno que se prova por si só.

Criado pelo artista Pendleton Ward, que produziu um curta para o Random! Cartoons (um bloco de novos animadores do canal Nickelodeon), provou de cara a boa recepção do público se tornando um sucesso na internet e serviu como piloto para a série que estreou em 2010 no canal Cartoon Network.

Pendleton Ward

O criador da série, Pendleton Ward.

Os protagonistas são “Finn, o humano” e “Jake, o cão”, amigos de infância que vivem em função de participar de aventuras. Finn é órfão, o único humano no mundo de Ooo que foi criado pela família de Jake, um cachorro que inexplicavelmente tem o superpoder de esticar seu corpo como o Homem Elástico da DC, ou o Senhor Fantástico da Marvel. Eles moram juntos em uma casa na árvore, com a companhia de seu videogame humanoide, o BMO.

Falar de um desenho animado é sempre delicado aqui no Brasil, pois é muito forte o conceito estabelecido de que tudo que seja desenho animado seja exclusividade para crianças, ainda mais produções do canal Cartoon Network. Porém Hora da Aventura não joga uma infantilidade medíocre em nenhum momento na sua cara, tem qualidade suficiente para todas as idades. Para demonstrar isso, vou tentar descrever aqui em palavras o que é Hora da Aventura, algo que não é uma tarefa fácil.

Hora da Aventura

Hora da Aventura é dotado de um humor autêntico e sagaz, capaz de surpreender com falas e situações inusitadas frutos da imaginação do autor e sua equipe, que mantém o mesmo padrão em todos os episódios. O desenho também é preenchido por um grau de surrealismo cheio de absurdos, atingindo o nonsense na medida certa, sem apelar para a imbecilidade. E além dessas qualidades a arte é extremamente agradável, tem um bom design de personagens e uma animação com traços suaves e muitas cores.

O trabalho de dublagem no Brasil também se utiliza da voz e entonação dos personagens como um recurso de humor assim como o original. Até mesmo as músicas apesar de despertarem um estranhamento quando cantadas em português são bem traduzidas e afinadas. Falando em música, o envolvimento que o desenho tem com elas é um espetáculo a parte, sem cair nos arranjos convencionais de desenhos animados, pode se ouvir diferentes estilos como folk, chiptune e rock.

Marceline

Marceline tocando seu Ax Bass no episódio “What was missing”.

Jake toca violino e Marceline a rainha dos vampiros é baixista, o que gera alguns arranjos que usam exclusivamente esses instrumentos. Destaco aqui o popular episódio “What was missing”, onde Finn, Jake, Marceline e a Princesa Jujuba (Princess Bubblegum no original), precisam formar uma banda para abrir uma porta selada, dele saiu duas músicas que ficaram famosas entre os fãs “I’m Just Your Problem” e “My Best Friends in the World”.

Outro fato interessante é o sucesso do episódio “Fionna and Cake” onde acontece um genderswap com todos os personagens da série, algo incomum em outras séries animadas.

Genderswap Hora da Aventura

Arte tirada do Tumblr da criadora de Fionna e Cake, Natasha Allegri.

Espero que tenha convencido o bastante, pois esse é um desenho que merece ser visto por sua originalidade que se permanece constante. A série é exibida no Cartoon Network e se encontra atualmente com cinco temporadas, disponível também no Netflix americano, ainda sem confirmação para o nacional.