F.A. #04 – OTESÁNEK

Por | 10/02/2014 | Sem Comentários

Otesánek é um filme de 2000 baseado numa fábula tcheca contada nos livros infantis, esse é lido por Alzbetka (Kristina Adamcová) uma garota que aparenta uns doze anos, assim como um livro que explica sobre o corpo humano, a reprodução e consequentemente vem a pergunta “De onde vêm) os bebês?” Esse cenário de “gestação” é muito explorado no filme pelo diretor Jan Svankmajer, com inúmeras mensagens subliminares.

O filme inicia-se com Bozena (VeronikaZilková) recebendo pela enésima vez a notícia de seu obstetra que não está grávida, algo que deseja há tempos. Seu marido Karel (Jan Hartl) resolve viajar com ela para uma casa no campo, mas vendo que não obteve resultados em animá-la, coloca em prática outra ideia – ele esculpi um pedaço de tronco de árvore e deixa-o em forma de bebê com todos os detalhes, desde cabelo (ramos e galhos finos) passando por um umbigo até um pequeno pênis.

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Deste ato, digamos de nobreza, ele irá se arrepender pelo resto do filme. Assim que entrega a “surpresa” para sua esposa, ela enxerga literalmente uma criança e não um pedaço de madeira podre e trata logo de vesti-lo com uma roupa do enxoval que sempre anda com ela, para que a “criança” não pegue friagem – a bosta está feita.

Após muita discussão ela o convence que deixaria o “recém-nascido” lá e só voltaria para buscá-lo depois de nove meses, em seguida retornam para casa. Durante esse período começa a missão “enganar a todos que estou grávida”.

Eles moram no mesmo prédio que Alzbetka, essa tem um papel fundamental na história assim como os outros moradores: seus pais, a síndica chata, o velho tarado, é como se todos interpretassem alguém dessa fábula.

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A futura mãe literalmente passa por uma gravidez psicológica durante nove meses, ela costura uma barriga falsa para cada mês, compra carrinho, mais roupas, tem vontade de comer coisas estranhas e sente enjoo. Seu marido tenta mudar sem êxito a opinião dela, não sabe o que vai acontecer quando todos descobrirem que tudo isso é falso, em alguns momentos suas reações me fazem lembrar vagarosamente Mr. Bean, da vontade de rir sem precisar falar nada dentro de um cenário que cada vez mais vai desmoronando.

“Depois de nove meses você  ve o resultado” – Cumpade Washington”

A cena em que ela está em “trabalho de parto” é muito dentro do esperado para tal situação, até Karel entra no papel de pai sem saber como agir nessa primeira viagem, se desespera, pede ajuda para os vizinhos, esquece a chave do carro, bate o mesmo no lixo enquanto Bozena está tendo contrações no banco de trás – pegam a estrada e o “toco” de bebê.

Enfim ela consegue realizar seu desejo de ser mãe (mãe-natureza?), e como tal muito protetora, até demais, não deixa ninguém visitar pra vê-lo e quando sai com Otik (nome do bebê) o cobre dos pés a cabeça.

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Como todo recém-nascido necessita bebe leite, assim é feito, litros e mais litros que depois passam a ser caldeirões de mingau. Sim, esse pedaço de madeira ganha vida por motivos que simplesmente “ganha” vida (aceite isso) e sua fome vai ficando cada vez maior assim como ele.

Daí pra frente o filme começa a entrar em sua sessão terror, que é quando a fome de Otik se torna mais constante e sendo aliviada à base de carne, não de humanos… Por enquanto.