O GOSTO DO CLORO

Por | 06/01/2014 | Sem Comentários

Nesse HQ pode-se ter muitas visões e filosofar por algum tempo. Conta a história de um rapaz que após o conselho de seu fisioterapeuta que trata de sua escoliose, resolve praticar natação uma vez por semana.

Daí pra frente, o cenário é sempre o mesmo – uma piscina pública. Em nenhum momento é citado o nome de qualquer personagem, mas não se faz necessário tal elemento.

   No primeiro dia já conhece uma garota que logo lhe chama a atenção pela facilidade que tem ao nadar. Ele não fala nada, não faz nada, não tem muita coragem nem capacidade de acompanhar na técnica.

   Na semana seguinte consegue uma aproximação e trocar algumas poucas palavras, recebe algumas orientações para melhorar seu nado criando uma expectativa de um possível amor platônico.

   O personagem aparenta ser bastante inseguro e acanhado no começo, não se arriscando muito na piscina, ainda mais ter que dividir a mesma com outros tantos. Depois ocorre uma mudança em seu semblante quando consegue por conta própria a atenção de sua admiradora, conversar assuntos mais profundos e fazer ela rir com algum comentário, sem contar sua evolução aquática.

Bastien Vives

Bastien Vives

Bastien Vives considerado um dos autores mais promissores, conquistou em 2009 o prêmio de revelação no famoso Festival d’Angouleme na França justamente com o Gosto do Cloro. Muito provável que escreverei mais sobre alguma obra desse rapaz num futuro qualquer.

Acontece de terem páginas e páginas sem nenhum balão, com uma narrativa em cima do visual, ângulos quebrados, tudo muito sutil e sensível por parte do autor que valoriza o tempo todo o silêncio. Se torna preciso com seu traço ora desfigurado, ora distorcido, mas sempre com o tom de azul impregnando os quadros, pois parece que Bastien trabalhou com uma palheta gradiente em tal cor.

Se afogando mais sobre a ausência de balões em muitas situações e o silêncio onde alguém quer dizer algo, Bastien consegue criar um clima onde os envolvidos sabem o que está acontecendo, mas fingem que não, por isso não precisam falar nada.

Não comentarei nada sobre o desfecho desse romance, porque eu acho que é o que menos importa nessa passagem. Eu gostaria de continuar lendo e lendo e lendo, mas tem que ter um fim (não um final).