Merlin – Os Anos Perdidos vol.1 de T.A. Barron

Por | 11/02/2014 | Sem Comentários

Primeiro livro da série criada pelo autor estadunidense T. A. Barron (Thomas Archibald Barron) que trata das lendas arturianas através de seu mais interessante e enigmático personagem: Merlin Ambrosius.

Apesar do furor curioso ao redor de Merlin, que inspirou outros personagens famosos como Gandalf de Tolkien e Dumbledore de J K Rowling, seu papel e identidade navegam desde os tempos antigos entre o mítico e o histórico, se renovando constantemente a cada novo par de olhos voltados para sua existência.

No caso desta série, o autor decidiu explorar seu lado pouco falado: a juventude e com este foco tem a feliz oportunidade de criar os desafios que tornaram o personagem o idoso sábio que a maioria de nós conhecemos, além de alcançar através da compatibilidade etária novos leitores.

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T.A. Barron

A história se inicia quando o jovem protagonista ganha consciência em uma praia. Desnorteado e sem nenhuma memória prévia a criança acaba encontrando próximo de si uma bonita mulher loira desmaiada. Suas considerações diante da situação são interrompidas quando para sua surpresa um enorme javali ameaça atacar a ele e a mulher. Lutando para salvar a ambos o garoto encontra proteção em uma árvore antes de um cervo repentinamente saltar em meio ao ataque e ajudá-lo, afastando a besta para longe.

Algum tempo depois o jovem e a mulher já convivem na mesma casa a certo tempo, residindo em um vilarejo próximo ao local onde despertaram. Branwen alega ser sua mãe, chamando-o de Emrys, e ganha a vida tratando as pessoas através de seu vasto conhecimento das ervas que utiliza de forma medicinal.

Branwen também conta ao menino diversas histórias míticas de tal forma que ele passou a classificar o ataque que recebeu na praia como uma luta entre a entidade maléfica Rhita Gawr (representado pelo javali) e Dagda (que seria o cervo), ainda que não saiba por que ambos se preocupariam com pessoas como eles.

Achei interessante esta primeira parte da história como a forma em que é descrita a vida no vilarejo e os poderes nascentes de Emrys. Este que consegue se comunicar com a natureza só aumenta os preconceitos dos camponeses contra ele e a sua declarada mãe, que acabam por ser hostilizados através de ódio cego e receio quanto aos conhecimentos “feiticeiros” de Branwen.

Por outro lado, toda a estranha sensação que o protagonista tem para com esta personagem foi mal-aproveitada ao meu ver. Emrys sente que este não é seu nome, que talvez Branwen nem seja sua mãe, mas ainda que esta tenha segredos (quanto a origem de ambos) ele vai levando a vida desta forma, sem nunca questionar profundamente estes detalhes.

A partir de uma má ação de Emrys os dois são obrigados a se mudarem, buscando asilo em um monastério. Devo dizer que odiei toda a parte religiosa com a perspectiva de Branwen. Na verdade queria bater nesta mulher toda vez que aparecia, o que até pode ser um bom sinal em algumas histórias, mas não foi nesta por que a raiva que senti destoa completamente da obra.

Os Anos Perdidos foi escrito para jovens adultos (Young Adult) que é uma classificação comum nos Estados Unidos. Geralmente as histórias com selo young adult possuem descrições fáceis de compreender, tom fluido e descomplicado, poucos personagens e seguem a clássica jornada do herói  e este livro não é diferente.

 

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Mapa de Fincayra

 

Finalmente abandonando Branwen em busca de sua origem Emrys então parte para a mágica terra de Fincayra onde com a ajuda da garota Rhiannon (Rhia), do pequeno gigante Shim e de um curioso esmerilhão (esse pássaro se tornou meu personagem preferido) cumpre parte de seu destino.

Toda esta segunda parte do livro é previsível do começo ao fim ao ponto do tédio. Em realidade tive até vergonha de algumas passagens pela aleatoriedade dos acontecimentos e extrema semelhança com Fantasia de A História sem Fim, em que em vez de o Nada estar aniquilando a magia, aqui se trata da influência de Rhita Gawr que escondeu os objetos de poder que ajudam a dar vida a terra.

A sensação que tive ao terminar é de que tudo não passou de uma grande encheção de lingüiça. Críticas compararam esta história com Harry Potter (como fazem sempre com tudo), já que os direitos foram comprados pela Warner Bros. para uma adaptação. Quanto a isso tenho de dizer que Anos Perdidos carece de “magia” para tanto, pelo menos em seu princípio.

A Série Merlin/Avalon de T.A. Barron

– Anos Perdidos de Merlin

1- The Lost Years of Merlin (1996)

2- The Seven Songs of Merlin (1997)

3- The Fires of Merlin (1998)

4- The Mirror of Merlin (1999)

5-The Wings of Merlin (2000)

 

– Merlin´s Dragon

6- Merlin´s Dragon (2008) – ou The Dragon of Avalon

7- Doomraga Revenge (2009)

8-Ultimate Magic (2010)

 

– The Great Tree of Avalon (spin-off)

9- Child of the Dark Prophecy (2004)

10- Shadows on the Stars (2005)

11- The Eternal Flame (2007)

 

Existe também um guia da série

12- Merlin: The Book of Magic – The Ultimate Guide to the Merlin Saga (2011)

 

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Edição Nacional – Os Anos Perdidos

 

Edição Brasileira de Merlin – Os Anos Perdidos: Galera Record

Páginas: 400

Ano: 2013