Litrão James Bond #01 – 007 e o Satânico Dr. No

Por | 28/01/2014 | Sem Comentários

Contém spoiler

Filme nº 1 – 007 e o Satânico Dr. No

Título Original: Dr. No

Ano: 1962

Diretor: Terence Young

 

Inicia-se aqui o consumo desta saga de ação a fim de recapitular as aventuras em forma de película deste popular personagem chamado Bond, James Bond. O Litrão do título é derivado justamente da quantidade de filmes que estarei degustando, assim como uma boa cerveja em litro que nunca é demais.

James Bond de código 007 é um espião/agente secreto britânico que trabalha para o MI-6 ou o serviço secreto da Inglaterra (esta é uma agência real, como a CIA). Criado por Ian Fleming, o personagem apareceu pela primeira vez em Cassino Royale, livro de bolso publicado durante os anos 50 e que logo se tornou bastante popular.

Gostaria de ter lido os livros para poder avaliar melhor os filmes durante essa “bebedeira cinematográfica”, talvez depois. Honestamente apenas os filmes já são uma sequência longa o suficiente para o momento.

De qualquer forma Dr. No foi baseado no sexto e homônimo livro de 007, já que as adaptações cinematográficas não obedecem em nada à seqüência literária. O primeiro dos seis atores que iriam incorporar o agente secreto na tela foi Sean Connery, imortal escocês nascido em 1930 e que tem paradeiro desconhecido atualmente por estar protegendo a pedra filosofal. Sim, isso foi uma piada.

Voltemos ao filme: A cena inicial com os três cegos me agradou bastante e o fato de demorarem tanto a apresentar o personagem principal foi instigante.

“It´s a Smith & Weston, and you had your six”.

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A trama começa quando Bond é enviado para a Jamaica a fim de averiguar as causas do assassinato de um de seus companheiros do MI-6, se este acontecimento tem algum envolvimento com a investigação que o agente morto cumpria é papel de James desvendar. No caso seria sobre a interrupção de lançamentos de foguetes no Cabo Canaveral, por interferência de ondas de rádio.

O roteiro em si não foi tão bem construído para um filme de espionagem, nada de muito fascinante que faça a mente trabalhar (mas, imagino que se encaixa perfeitamente no gênero ação) e claramente devemos levar em consideração não só a época em que o filme foi feito, mas também a que foi escrito.

Gosto muito de como apresentam o vilão: primeiro o medo das pessoas na ilha, em seguida apenas sua voz, depois apenas parte de seu corpo em numa cena aterrorizante em que entra no quarto e tira a coberta de cima do rosto de um Bond desacordado e indefeso, para finalmente ser revelada sua figura.

Seguindo a trilha de Dr. No, nosso herói encontra a sereia Honey Ryder saindo do mar em uma ilha longínqua, onde talvez o vilão esteja entocado. Essa cena estrelada pela primeira Bond Girl, Ursula Andress, é famosíssima, mas o papel da garota além de nutrir os olhos é insignificante durante o restante do filme.

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Voltando ao fato de eu não ter lido os livros, duas coisas me incomodaram em Dr. No que não sei se seriam derivadas da história escrita: o personagem Quarrel e Honey Ryder.

Quarrel é um apanhado de estigmas e preconceitos em forma de um negro supersticioso, não muito inteligente, servil e que gosta bastante de rum… Além de ter tido uma das mortes mais idiotas que já vi no cinema. Eu sei, é a época do filme, mas não pude deixar de pensar: “Saí daí! Se mexe! Tá vindo na sua direção a dois por hora!!”.

Quanto a Honey Ryder… Não, não é o nome. É o personagem mesmo, e que interpretação horrorosa, caramba! Tudo bem, a mina foi icônica, mas quando estão no pântano e Bond mata um soldado desgarrado a expressão dela com ambas as mãos no rosto dizendo “Why” foi terrível.

E o que dizer dos diálogos dela? “... Você já viu a dança da fuinha?… Ou uma louva-Deus comendo seu marido após fazerem sexo?”

Meu Deus, quem fala desse jeito? Que mina assustadora!

De qualquer forma depois da patética morte de Quarrel, o caçador se torna a caça e o casal de pombinhos em roupa de banho são abduzidos e levados ao foda-delícia-euquero QG do vilão.

Considero a parte em que Bond e Honey são descontaminados e em seguida “inseridos” dentro desta base secreta uma das melhores coisas que já vi. Toda aquela cortesia é extremamente ameaçadora.

Aliás, gosto bastante destes tipos de cenas tensas, como por exemplo: a cena da aranha no quarto. Aquilo ainda arrepia mesmo que seja um pouco inocente para os parâmetros de hoje.

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Todo esse suspense que me deixou emocionada e ansiosa foi aniquilado rapidamente na conversa entre Dr. No e James Bond.

Este diálogo entre os dois personagens principais – herói e antagonista – se não foi o primeiro do tipo, com certeza influenciou todos os outros que viriam posteriormente.

A clássica conversa entre bem e mal contendo o discurso do vilão: “Sou desse jeito e estou fazendo o que faço por tais e tais motivos, me entende amigão? Então se junte a mim!”.

Muito bem, além de Dr.No mencionar fazer parte da SPECTRE  (SPecial Executive for Counter-intelligence, Terrorism, Revenge, and Extortion) que é a Liga do Mal dentro do universo de 007,não houve nada de muito impacto no restante do discurso, o que na minha opinião foi broxante. Depois de toda a expectativa criada no filme inteiro, fiquei com a sensação de: “Só isso?”.

Depois desta conversa, Bond é enviado para a morte – conseguindo escapar no final, obviamente – enquanto Dr. No segue seu caminho feliz em uma divertida roupa de proteção feita de plástico transparente a fim de cumprir o plano, que é acabar com o lançamento de outro caríssimo foguete. O que não acontece, por que o pobre homem é empurrado para dentro de uma cuba de refrigeração do reator que utilizaria no procedimento e…morre. Afinal, mesmo que pra época não fosse tão comum como hoje o herói assassinar seus inimigos, James Bond tem permissão para matar.

Vou tentar descrever todas as mortes dos vilões de Bond aqui, que eu me lembre algumas cenas são incríveis.

No geral este filme chega até a ser inocente, mas cativa ao mesmo tempo. Enquanto existem alguns momentos em que a trama esfria muito, outros eu já encontro como memoráveis.

E confesso que o vilão é o que mais me apeteceu na história toda. Dr. No, gênio incompreendido e solitário – sem pátria, sem companheiros – tem uma obsessão (mal explorada) e quase sexual com seu inimigo. Fiquei com dó dele, sério. Mas enfim, que venham os próximos!