F.A. #13 – LOS CRONOCRÍMENES

Por | 30/05/2014 | Sem Comentários

De início acompanhamos Hector que acaba de se mudar com sua esposa Clara para uma casa distante da cidade, uma espécie de condomínio fechado em que as casas ocupam grandes terrenos com vasta vegetação em volta, e enquanto ela guarda as roupas ele tenta tirar um cochilo no meio do dia, mas o sono não lhe vem e decide “espionar” ao redor com um binóculo.

Entre as árvores uma jovem seminua chama sua atenção e após ela aparentar estar passando mal, Hector resolve entrar no meio da floresta em sua busca. A partir daí começa a sessão suspense com toque de terror.

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Hector encontra a garota caída, mas ao tentar se aproximar dela é atacado com uma tesoura por um cara usando um sobretudo preto e o rosto completamente enfaixado que estava escondido, Hector foge e se refugia em um laboratório onde encontra um estudante (que é interpretado pelo diretor Nacho Vigalondo). Esse o convence a se esconder dentro do que parece ser mais uma caixa d´água.

Na verdade é uma máquina do tempo e ao sair de dentro dela descobre que viajou para o passado (uma hora e meia atrás) e se tornou no “Hector 2” já que Hector 1 está em casa tentando dormir. O estudante tenta lhe explicar a situação e oferece uma solução, mas a coisas acabam saindo do seu controle.

Nesse ponto o teor de suspense aumenta atrelada a ficção científica. Hector 2 se lembra de tudo que aconteceu, e a mesma cena vai se repetindo algumas vezes sendo mostrada em diferentes perspectivas. Isso tudo acontece enquanto Clara sai para fazer compras.

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Apesar de parecer confuso, depois da primeira viagem seu roteiro acaba se tornando previsível, porém ele ainda surpreende e não tira sua vontade de querer continuar assistindo. A mistura de gêneros funcionou muito bem e ajudou a abordar um tema já muito explorado de maneira que ainda não havia visto com uma narrativa com pouquíssimas falas.

O diretor abraça o lado B com um espírito trash sem tentar esconder nada, detalhe na escolha pela cor magenta da mancha de sangue, e quero dizer que quando vi o laboratório me lembrou muito os cenários dos programas da TV Cultura anos atrás, feito de plástico e cartolina, com mesa de controle cheia de botões que mais parecem de brinquedo. Sua aposta fica por conta da trama através de seu roteiro que no minímo é interessante. Ele é honesto e peculiar dentro de seu orçamento.

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O objetivo de Hector é quebrar esse loop fazendo com que só exista um Hector, mas por mais que ele saiba o que vai acontecer, as situações se repetem do mesmo jeito. Ele tenta prejudicar sua versão do passado enquanto a do futuro faz o mesmo com ele e assim por diante – como se ele fosse o herói e vilão ao mesmo tempo.

Atraiu-me bastante pela sua invencionice, ao assistir você pode até se perguntar porque ele fez “isso e não aquilo”, mas não vi nada como forçar a barra para acontecer algo, só teria investido mais nos diálogos. É sempre válido quando um projeto assim é executado apesar das dificuldades financeiras, e essa falta de uma produção grande leva a acrescentar para o visual do filme.

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Ano: 2007

País: Espanha

Diretor: Nacho Vigalondo

Roteiro: Nacho Vigalondo

Elenco: Karra Elejalde (Hector), Candela Fernández (Clara)

Título: Timecrimes (inglês), Crimes Temporais (português)