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Entrevista com André Santee da Asantee Games

Por | 28/02/2014 | Sem Comentários

Recentemente descobri na biblioteca do Android o simpático jogo Magic Rampage, do qual já falei aqui, e meio por acaso descobri que os criadores desse jogo estão aqui no Brasil, precisamente em Campo Grande – Mato Grosso do Sul.

Um estúdio com duas produções para mobile que são Magic Portals e Magic Rampage, além de dois jogos menores que são Hit the Gator e Bee Avenger, todos com versões gratuitas para Android, dos quais Bee Avenger e Magic Portals estão disponíveis na App Store para o iOS.

Além dos jogos o estúdio tem em seu portfólio uma game engine open-source (motor para criação de jogos com código-fonte aberto) para jogos 2D, a qual pode ser feito o download por qualquer um no site da empresa.

André Santee - Asantee Games

André Santee game designer e programador.

Tive a oportunidade de conversar com André Santee, game designer, programador e um dos fundadores da empresa, leia como foi a entrevista:

1. Primeiramente gostaria de saber como foram os primeiros passos da Asantee, vocês já desenvolviam jogos antes?
André: Eu e o Bruno já trabalhamos juntos com games em outras empresas no passado. O que se aproxima mais de um “game de lançamento” para a Asantee Games foi o Magic Portals. Depois dele, juntamos forças novamente, e o Bee Avenger foi incorporado à biblioteca da empresa com a entrada oficial do Bruno. O Hit the Gator foi uma produção paralela ao carro chefe na época que era o Portals mesmo.

Hit the Gator - Asantee Games

O jogo Hit the Gator.

2. E a Ethanon Engine, surgiu junto com algum projeto para atender a necessidade de vocês, ou já foi feita pensando em ser uma ferramenta aberta para qualquer desenvolvedor?
André: Eu diria que foram precisamente as duas coisas. A ideia de criar, por diversão, uma ferramenta open source e a necessidade profissional de se ter uma plataforma onde pudéssemos ter controle total nos processos de desenvolvimento.

3. Quanto a equipe no desenvolvimento, são só vocês André e o Bruno? O estúdio Panda Vermelho (arte) e Casa da Sogra (áudio) são parceiros de vocês em todos os projetos?
André: Oficialmente na Asantee Games hoje somos eu e o Bruno, e temos uma parceria bem sólida com o Estúdio Panda Vermelho.

4. Você já participou do concurso E-Games do Senac, e quanto a Game Jams, tem interesse em fazer parte? Qual sua opinião sobre elas?
André: Participei do E-Games em 2010 e, como sempre, perdi em segundo lugar. Foi a única competição e evento do tipo do qual já fiz parte. Tenho uma grande admiração por pessoas que participam de game jams, mas acho que desenvolver games já é um trabalho estressante e desgastante o suficiente quando se tem vários meses para concluir e sem uma concorrência tão direta. Prefiro me limitar a desenvolver profissionalmente e deixar para me divertir com outras coisas mais relaxantes.

5. Como é ser um desenvolvedor de jogos em Campo Grande – MS?
André: Na verdade não vejo grande diferença com relação à abrangência e ao acesso que temos aos jogadores (e eles à nós). Por ser um mercado já muito bem baseado na internet, acredito que hoje se possa desenvolver games de qualquer lugar do mundo. Talvez um ponto que nos afete de alguma forma é que, por estarmos longe do eixo Rio – SP, acabamos ficando um pouco de fora dos círculos de contato que existem por lá, o que por um lado é ruim devido as oportunidades que podem ser perdidas, mas trás um grau de “isolamento” que, acredito eu, pode afetar de forma positiva a qualidade dos games por conservar um caráter mais independente.

Magic Portals - Asantee Games

Imagem do jogo Magic Portals.

6. Em que línguas os jogos de vocês estão disponíveis?
André: A maioria dos games estão todos em inglês, e abrangem lojas do mundo todo, mas alguns games possuem localização em português, como é o caso do Magic Rampage.

7. Os jogos da Asantee sempre tem versões gratuitas, para vocês essa é só a melhor estratégia para a plataforma Android ou existem outros motivos?
André: Games gratuitos tem maior alcance e formas de monetizar e baseadas nestes critérios são uma alternativa interessante à pirataria, que é bem grande, principalmente no Android.

8. O que acha da monetização através dos freemiuns (Jogos gratuitos, mas com conteúdo pago), acreditam que é uma forma que beneficia a desenvolvedora e o consumidor final?
André: É uma forma que, na maioria das vezes, é melhor para a desenvolvedora, mas nem sempre é bom para todos os jogadores. Modelos freemiums muito agressivos acabam engessando demais o game/level design e na minha opinião acabam deixando a experiência menos agradável. Plants vs Zombies 2 e Dungeon Keeper são exemplos de jogos que, na minha opinião, acabam perdendo um pouco a mão em virtude de estratégias de monetização desse tipo muito agressivas.

9. Por que optaram por lançar as telas de Magic Rampage aos poucos?
André: Porque as fases não estão prontas ainda. O game precisou de um ano de desenvolvimento para ter oito fases. Então tínhamos duas opções:

1. Ficar mais alguns meses (ou anos) desenvolvendo o restante do game, o que encareceria ainda mais sua produção.
2. Lançar o que já estiver pronto e trabalhar para criar uma fase nova por semana.

A segunda opção foi a mais óbvia, com ela pudemos monetizar o game enquanto ele ainda estivesse sendo produzido além de basear o planejamento das fases no feedback em tempo real dos jogadores. Devemos fechar o primeiro arco de fases, ou seja, a primeira versão do game, em maio ou junho.

10. Vocês pensam em expandir para outras plataformas além do mobile?
André: Sim, o máximo de plataformas possíveis. A começar por consoles já baseados em Android como Ouya e Gamestick, e em seguida PC e Mac.

11. Pra finalizar, qual o conselho que você dá para quem quer ser desenvolvedor de jogos no Brasil?
André: Estude e rale muito. Jamais pense que será fácil, caso contrário vai acabar desistindo logo.

Magic Rampage - Asantee Games