Deep Dungeons of Doom

Cachaça Mobile #01 – Deep Dungeons of Doom

Por | 27/03/2014 | Sem Comentários

Estou dando início a minha nova coluna que irá tratar sobre jogos feitos exclusivamente no Brasil para dispositivos móveis, já que é uma plataforma muito usada pelos desenvolvedores brasileiros e pouco divulgada. Essa ideia me ocorreu após ter feito a entrevista com o André Santee da Asantee Games e o review de seu jogo Magic Rampage, me fizeram perceber que existe muito a ser dito sobre esse assunto, além de ajudar os jogadores a conhecer e apreciar o que tem sido lançado muitas vezes no anonimato pelos indies aqui de nossas terras.

Para dar início não poderia ser com um jogo melhor, Deep Dungeons of Doom é um jogo do estúdio indie brasileiro de maior sucesso atual, o MiniBoss, o qual foi fundado pelo casal de desenvolvedores Amora Bettany e Pedro Medeiros. Para esse jogo eles tiveram a colaboração de outros nomes do indie brasileiro, como o casal Thais Weiller e Danilo Dias da Joymasher que contribuiram na arte, balanceamento e level design; o artista Glauber Kotaki, que também trabalhou no popular jogo indie Rogue Legacy; o jornalista Marcus Oliveira no roteiro; o músico Iuri Rodrigues que fez toda a trilha e Guilherme Campos que também trabalhou no roteiro. Durante o desenvolvimento do jogo eles mostraram o que havia sido feito ao estúdio Bossa – estúdio inglês fundado por brasileiros – e esses gostaram tanto que resolveram financiar, co-produzir e publicar o jogo. Hoje ele está disponível em iOS, Android e Ouya.

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Nele você pode jogar com três personagens de classes diferentes que vão sendo desbloqueados conforme se avança no jogo, começando com o crusader que tem o ataque forte, mas usa muito pouco de magia, as outras duas classes são o mercenário que tem a vantagem de ser muito ágil, mas a desvantagem de ter o ataque fraco e por último a bruxa que enquanto tem pontos de magia tem um ataque forte, mas tem muito pouca agilidade.

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O jogo consiste de onze níveis, eles funcionam da seguinte maneira: seu personagem no lado esquerdo da tela enfrenta um inimigo por vez que aparecem no lado direito e após vencê-lo você pode seguir para o próximo deslizando a tela para cima até chegar ao chefe. As batalhas são bem interessantes por que fazem bom uso do touchscreen dos dispositivos, você não precisa de muito mais que dois toques por vez, na maioria das vezes um só basta. Os botões são para ataque e defesa e também existem dois para itens, sendo um para equipáveis e outro para aqueles que só podem ser utilizados uma única vez como poções por exemplo.

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O ataque e a defesa tem um tempo de cooldown para serem usados novamente, por isso requer certa cautela. É essencial observar a animação dos inimigos para perceber qual será o próximo movimento e saber reagir. O padrão de ação dos inimigos é algo criativo no jogo, mantendo sempre uma dinâmica e não caindo na chatice de só ficar repetindo a mesma estratégia para vencer. O jogo é todo de ação e reação, por isso algo que pode atrapalhar dependendo do seu dispositivo é o tamanho dos botões que se ficarem pequenos prejudicam na hora de reagir rápido.

Os itens são adquiridos após vencer os inimigos, mas também podem ser comprados em lojas que abrem no mapa. Para comprar no jogo usam-se as moedas que também caem dos inimigos após vencê-los, elas não só servem para comprar itens, mas também para abrir novas habilidades dos personagens. Algumas vezes quando se termina um nível você pode ganhar um revive, um item especial que depois do personagem morrer lhe dá direito de voltar de onde você parou sem ter que voltar ao começo e fazer tudo novamente.

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A arte do jogo é retrô toda em pixel art, assim como a música que é em 8 bits, essa característica foi escolhida pelo estúdio e os colaboradores provavelmente por ser mais prática e ainda assim ter uma estética agradável.

O jogo está disponível gratuitamente para download, porém apenas as quatro primeiras telas podem ser jogadas, para se ter acesso ao restante você precisa comprar o pacote Core Dungeons Expansion que tem o preço de 7,63 reais na versão de Android e 2,99 dólares na versão de iOS. Além disso existe a possibilidade de comprar pacotes de moedas ou um revive assim que você morre, aquela forma clássica de monetização onde o jogador paga para facilitar sua vida, o que nesse caso não é nem um pouco obrigatório.

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Deep Dungeons of Doom é um jogo mobile completo, suas partidas são curtas, a jogabilidade é simples, mas o desafio é moderado e as possibilidades de estratégia são variadas, o que acaba por agradar o jogador com comportamento de todo tipo. Além de ser bem sóbrio quanto à forma de monetizar seu conteúdo, você desfruta boa parte dele sem custo e se estiver empolgado para terminá-lo é só comprá-lo. Sem propagandas visualmente agressivas dentro do jogo ou balanceamento desproporcional que te induz a gastar com moedas ou itens. Sem dúvida vale a pena ser jogado se você tiver a oportunidade.

Deep Dungeons of Doom na Google Play Store.
Deep Dungeons of Doom na iTunes Store.