F.A. #11 – PARADIES: GLAUBE

Por | 25/04/2014 | Sem Comentários

Segundo filme da trilogia de Ulriche Seidl iniciada com Paradies: Liebe (Paradise: Love) que tem como trama em comum as férias de três diferentes protagonistas femininas. Em Paradies: Glaude (Paradise: Faith), Ana-Maria é irmã de Teresa que protagoniza o primeiro, e essa é mãe da adolescente que estará no último filme, mas apesar de fazerem parte do mesmo universo, nenhuma interfere na história da outra… Até agora.

Ana-Maria está em seu último dia de trabalho antes de entrar de férias, não tem planos de viajar nem fazer nada diferente, apenas ficar em casa “cultuando” Jesus. Isso mesmo, ela é uma missionária católica, que todas as veze que sai de casa carrega junto de si a imagem da Virgem Maria em sua bolsa, além de bater de porta em porta tentando converter as pessoas – aqueles tipos de pessoas inconvenientes, protestantes de Jeová e afins.

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Essas suas “intervenções” nas casas de estranhos nos propiciam cenas intensas e que causam certa vergonha alheia. Já em casa, Ana-Maria passa a maior parte do tempo rezando, cantando hinos de louvor e organizando vigílias. A parte anormal fica por conta das vezes em que usa um cinto de castidade e anda ajoelhada pela casa, ou quando despe-se para em seguida se martirizar com um chicote.

As coisas mudam quando retorna de uma saída e encontra em sua sala um homem de aparência muçulmana sentado numa cadeira de rodas. Esse é Nabil (Nabil Saleh), que acomoda-se dentro da rotina de Ana-Maria sem nenhuma explicação prévia do relacionamento entre os dois, apenas posteriormente descobrimos que são casados e por algum motivo ele estava morando com sua família – o porquê cada pessoa interpretará de sua maneira.

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Ana-Maria o trata com muita frieza, mas como uma católica fervorosa e educada sob os dogmas machistas e tendo isso atrelado a condição física de Nabil, ela não reclama em fazer algumas tarefas como preparar sua comida, lavar suas roupas, ajudar no banho entre outras coisas. Porém quando tenta se aproximar querendo tocá-la ou algo a “mais”, ela repudia com toda sua fé acreditando que passar por essa situação é uma prova que Jesus lhe enviou.

No decorrer a situação começa a ficar mais conturbada com Nabil não aceitando o jeito que está sendo tratado e aproveita enquanto está sozinho em casa para fazer algumas mudanças.

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Ana-Maria não o odeia nem ama, só pensa viver na castidade e não ousa pedir a separação depois que se comprometeu no sagrado matrimônio diante do Senhor. Ela tenta ensiná-lo sobre o pecado original, mas seus esforços são em vão diante da “fome” dele.

Paradies: Glaube possui um ritmo próprio, mais lento e tem uma filmagem mais amadora com lentes sujas e câmeras estáticas, digo isso de forma favorável. Destaque também para a tremenda atuação de Maria Hofstatter, que não é a Virgem, mas Ave-Maria (é, eu sei). Uma coisa que ocorreu nos dois filmes é o constante improviso visível em muitas cenas.

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Depositei bastante “fé” em Glaube após ter assistido Liebe que foi suprida parcialmente, mas talvez eu criaria a mesma expectativa se tivesse assistido na sequência contrária. Devemos tratar de maneira individual cada um dos filmes e não ser visto como uma continuação, por isso não vejo a necessidade de assistirem na ordem em que foram lançados.

Nos dois filmes as duas personagens buscam de forma visceral a felicidade, mas de maneiras diferentes sendo que, para Teresa o paraíso seria um amor carnal e já sua irmã, Ana-Maria acredita alcançar através da força espiritual, da sua fé.

Ulrich Seidl, Veronika Franz

Nabil Saleh, Maria Hofstatter, Ulrich Seidl e Veronika Franz

Ano: 2012

País: Áustria

Idioma: Alemão

Diretor: Ulrich Seidl

Roteiro: Ulrich Seidl, Veronika Franz