Azul é a cor mais quente - capa Emma

Azul é a cor mais quente

Por | 20/02/2014 | Sem Comentários

Fui ler essa HQ achando como muitas pessoas que se tratava de mais uma obra de descoberta da sexualidade e das dificuldades que é assumir quem você é e com um final trágico e emocionante. Azul é a cor mais quente tem isso também, esse momento de descoberta na vida da protagonista é sutilmente bem trabalho, conseguimos sentir sua dor como deve ser sem a autora forçar, mas não é o foco da história, ela é acima de tudo uma história de amor. Quanto ao final, a história é elíptica e começa já nos tornando ciente da tragédia que irá acontecer, portanto usando ela só como um elemento narrativo.

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São poucos quadrinhos que representam tão bem momentos românticos entre um casal, os olhares, os carinhos, o sexo. Para mim esses são os pontos altos da HQ. Até mesmo a cena de sexo da protagonista com um garoto pela primeira vez que deixa bem claro nos quadros como Clementine se sentiu. Existe uma sensibilidade muito grande na representação dos quadros, se tirassemos isso da narrativa a história não seria grande coisa, saltaria bem mais alguns defeitos como diálogos pobres, ou o desenho da autora Julie Maroh que apesar de bem expressivos não representam muito bem a figura humana, desproporcional e distorcida em muitos momentos.

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Sem cair nas armadilhas das fórmulas desse gênero, ela retrata muito bem um romance da vida real, mostra por exemplo como as duas se envolvem mesmo uma delas estando comprometida, como brigam por razões bobas ou como com o passar do tempo a relação vai se desgastando.

capa brasileira - Azul é a cor mais quente

Capa da edição nacional, da editora Martins Fontes.

Quanto a narrativa baseada em cores é algo bem interessante, nas memórias descritas no diário da protagonista Clementine tudo é preto e branco, apenas é destacada o azul dos cabelos de Emma e de alguns outros elementos, pois costumamos lembrar com clareza só daquilo que nos foi marcante. E nisso percebemos o deslumbramento de Clementine perante Emma e o quanto ela foi importante em sua vida.

Azul é a cor mais quente - Clementine

Azul é a cor mais quente é o primeiro quadrinho da autora, ela começou a escrevê-lo com 19 anos quando ainda estava na faculdade e levou cinco anos para terminar. Sem dúvida tem traços de sua vida, mas a intenção sempre foi só contar uma história e essa resultou em uma grande receptividade do público ajudando jovens a entenderem sua sexualidade ou apenas a respeitar os homossexuais fora do estereótipo. No ano de 2013 teve sua adaptação para cinema que ganhou a Palma de Ouro no festival de Cannes, por conta disso a editora Martins Fontes publicou aqui o quadrinho próximo ao período de exibição do filme nos cinemas brasileiros.