Amante Sombrio (IAN vol1)

Por | 03/02/2014 | Sem Comentários

Primeiro de uma série que hoje contém onze volumes, Amante Sombrio dá impressão de ser como tantos outros romances sobrenaturais no mercado e, honestamente, em grande parte é mesmo. Acontece que esse tipo de literatura com diversos personagens, tendo foco em um indivíduo por título, só começa a ficar realmente interessante a partir do segundo volume, pois já conhecemos tanto o universo quanto aqueles que serão melhores descritos futuramente.

Devo dizer que odeio títulos como este: Amante Sombrio. Muito mais fácil seria se fossem os nomes dos protagonistas, que nesse caso se chama Wrath. Ele é um vampiro, mas calma, que os vampiros criados por J.R.Ward não tem absolutamente nada a ver com os do Crepúsculo. Provavelmente devorariam os pobres coitados de diamante em uma talagada só, a bem da verdade.

Neste universo os vampiros são primariamente fechados dentro de sua própria sociedade coexistindo com os humanos apenas em território, é impossível a transformação de humanos em vampiros já que são raças diferentes. A alimentação desta sociedade acontece entre eles, sendo que os machos se alimentam das fêmeas vampiras e vice-versa. Os indivíduos são descritos de forma primal mesmo: os vampiros não são homens, por isso machos.

Possuem uma deidade própria denominada Virgem Escriba que também tem contraparte maligna chamada Ômega, a primeira por possuir o dom de criar a vida (os vampiros) tornou o Ômega invejoso ao ponto de inventar um método único de ter seus próprios filhos… Um bem interessante por sinal.

É algo como o ovo e a galinha, os filhos do Ômega formam a Sociedade Redutora e seus membros existem para caçar novos recrutas para a Sociedade, e assim continua infinitamente. Os redutores não são humanos, mas provenientes deles e sua outra óbvia função é a de matar o máximo de vampiros que conseguirem.

Seduzindo humanos “corruptíveis” ou que tem tendências que os excluem de alguma forma dentro da sociedade, os redutores os levam a presença do Ômega onde são transformados através de um procedimento composto por enorme troca de inúmeros fluídos. Tornam-se então criaturas desprovidas das funções mais básicas como se alimentar ou conseguir ter uma ereção (apenas homens são transformados), porém assim como os vampiros são quase imortais, fortes e possuem aparência humana. Além disto, também tem suas feições alteradas conforme o tempo: seus cabelos e olhos tornam-se claros, desbotando-se até quase ficarem albinos e emanam um cheiro adocicado de talco de bebê.

Já os vampiros possuem sua própria transformação, algo como a fase da puberdade em um dia apenas, sendo que esta é bem mais extrema com os machos. Estes que até os vinte anos possuem compleição frágil de repente tornam-se imensos guerreiros de aparência medieval, de tão crítica e dolorosa alguns chegam a morrer durante o que chamam de Transição.

Wrath é um dos guerreiros mais antigos e de família mais nobre que existe, em verdade ele é o herdeiro da coroa, mas não tem interesse nenhum em governar ninguém e segue suas noites caçando redutores com o resto da Irmandade da Adaga Negra (IAN).

Os vampiros são classificados em civis e guerreiros (que formam a Irmandade). Estes existem para proteger sua sociedade com a vida. Além disso, ainda há a glymera, que é um grupo de aristocratas provenientes das mais antigas famílias e comandam a parte burocrática, sendo xingados constantemente durante a série, inclusive por nós leitores.

Darius, um dos guerreiros da Irmandade, pede a Wrath logo no começo do livro que ajude sua filha mestiça Beth Randall a passar pela Transição – em que se a pessoa não beber sangue de outro vampiro morre. Como Beth é mestiça, filha de um vampiro e uma humana, a linhagem pura de Wrath que é traduzida em um sangue muito forte ajudaria ao ponto de poder salvar a vida da moça.

Wrath nega e então Darius morre em uma emboscada (isso não é spoiler, acontece no segundo capítulo). A partir daí Wrath vai atrás de Beth a fim de cumprir o último desejo de seu irmão de guerra. Como disse, a trama principal “garoto conhece garota” não se altera, o interessante é o universo que cada vez mais vai se expandindo enquanto nos afeiçoamos a um personagem ou a outro.

A Irmandade é durona, fala palavrão pra caralho, ouve rap com som alto, apesar de conseguir se “desmaterializar” gostam de carrões, de armas, de matar redutores, sexo (muito mesmo) e de implicar uns com os outros.

Eu não gosto muito do Wrath, que querendo ou não é o líder deles, mas os outros membros da Irmandade são Rhage (que se transforma em uma criatura estilo kaiju quando zangado), Tohrment (que tem um papel paternal, já que é o único dos irmãos que tem uma esposa), os gêmeos Phury e Zsadist (o primeiro é um junkie e o segundo todo problemático, coitado) e Vishous (um dominante da prática BDSM).

Ainda neste livro somos apresentados ao meu querido Butch O`Neal que é um policial da divisão de homicídios de Caldwell em Nova York, onde se passa a trama. Além deste investigar o caso de Darius ainda serve como contraparte amorosa de Beth, o que o leva muito longe dentro da Irmandade.

Existem diversos pontos que amo e odeio em IAN (abreviação de Irmandade da Adaga Negra) e provavelmente falarei melhor delas posteriormente. De pronto eu indico já que melhora muito depois deste primeiro livro.

Para finalizar tenho que reclamar da edição nacional da Universo dos Livros, que suprimiu os palavrões ao ponto da história soar como um filme dublado da Sessão da Tarde.  Se puder é melhor ir atrás do original.

 

Amante-Sombrio