F.A. #12 – A PEQUENA LOJA DE SUICÍDIO

Por | 15/05/2014 | 1 Comentário

É uma animação e musical de produção francesa que conta a história da família Tuvache – Mishima (pai), Lucrèce (mãe), Vincent (filho) e Matilyn (filha). Eles administram a Loja de Suicídios Maison Tuvache que há várias gerações faz parte da família.

Nesse lugar são oferecidas várias formas de se suicidar dos mais brutais ou sutis, sem dor ou com dor, tendo em seu “cardápio” inúmeros tipos de venenos, comprimidos, giletes ultra-afiadas, espada oriental (Harakiri), revólver (só uma bala), corda e um banquinho (um dos mais baratos) e por aí vai…. Tudo tem um preço sendo na maioria alto, até porque, ter dinheiro não terá utilidade depois de não fazer mais parte desse mundo, e ainda garantem o estorno do dinheiro caso algum produto não funcione, o lema da loja é “Você desperdiçou sua vida, tenha sucesso na morte”.

04

Todos os quatros trabalham na loja, ora Mishima ora Lucrèce atendem os clientes mostrando todos os produtos da loja enquanto Vincent e Matilyn tratam de reabastecer o estoque. Todos apresentam perfis depressivos, nunca atendem com “Bom dia” ou se despedem com “Até logo”, isso não faria bem para os negócios. Eles também pensam em tirar a própria vida, mas o dever com a história da família tem que ser honrada e ajudar as pessoas a se matarem de maneira “profissional” sem atrapalhar a vida de ninguém.

O clima do filme muda quando Lucrèce dá a luz a Alain, um bebê alegre que todos tentam ensiná-lo a não sorrir, mas os anos se passam e Alain se torna um garoto sorridente, otimista, brincalhão, e esse seu jeito acaba contagiando alguns clientes que mudam de ideia, o que obviamente prejudica no faturamento da loja. Isso tudo só faz com que seu pai se irrite cada vez mais.

08

Os musicais seguem uma narrativa que lembra “A Noiva Cadáver”. Para quem não gosta de musicais que começam a cantar “do nada”, pode querer se matar no começo, mas no decorrer ficam mais equilibrado os diálogos e as partes cantadas tornando a transição de um para o outro mais digerível.

É o primeiro filme de animação do diretor Patrice Leconte baseado no livro homônimo de Jean Teulé, que destaca-se pelo seu visual cinzento demonstrando bem o lado decadente e tons vibrantes para dar mais “vida” ao produtos da loja.

01

Além de ser uma animação que dificilmente teria uma produção americana pelo seu humor negro e acidez, ele também traz a quebra de paradigma do padrão da beleza imposta, que fica visível na cena de strip de Matilyn.

O filme trata de muitas questões, ele mostra um cenário europeu deprimente talvez reflexo de um continente imerso na crise econômica, o que leva a família Tuvache se aproveitar do desespero e infelicidade das pessoas como uma oportunidade de mercado. Ou seja, em momentos assim a Morte e o Suicídio são tratados como negócio, com o Estado vigiando e punindo aqueles que falham na tentativa de suicídio, obrigando-os a fazerem de forma “legal”.

02

Por isso, eu acho que a reviravolta que roteiro dá quando Alain tenta convencer seus pais e irmãos a aproveitarem mais a vida contagiando com sua alegria e consequentemente os clientes, é uma forma de mostrar que se todos se tornarem felizes, ninguém vai querer se matar, ou seja, é hora de mudar de ramo comercial.

Numa comparação tosca, é como antigamente quem era dono de uma locadora e aparece alguém saltitando alegremente com um baita celular moderno espalhando a todos ao seu redor… Cadê os VHs?

03

 

Ano: 2012

País: França

Diretora: Patrice Leconte

Título Original: Le magasin des suicides

  • excelente essa animação, o blog é muito bom tbm, parabéns pra toda crew..