Jaloo

A antropofagia contemporânea em Jaloo

Por | 07/10/2015 | Sem Comentários

Não é novidade para nós a ascensão de milhares de gêneros musicais nascendo em todo mundo. Isso é um fenômeno natural ao ser humano, a necessidade de dar nome as coisas para facilitar nossa expressão na hora de nos comunicarmos. Porém, a arte sempre foi feita de subtextos e o uso de rotulações diminui o seu propósito.

A grande quantidade de gêneros musicais florescendo loucamente só sinaliza uma coisa, a necessidade de matá-los.

O movimento antropofágico brasileiro foi um movimento difundido a partir do Manifesto Antropofágico escrito por Oswald de Andrade. Por conta dos modernistas terem entrado em contato com os movimentos artísticos europeus e americanos e verem que esses eram expressões legítimas das suas culturas, enxergando assim, a necessidade de não só resgatar as culturas primitivas do Brasil, mas como trazer a cultura de fora do país para a realidade brasileira na época. A antropofagia é uma referência ao costume ritualístico indígena antigo em que os índios acreditavam que comendo outra pessoa iriam adquirir seus conhecimentos, por sua vez sendo uma metáfora onde os artistas “comeriam” as culturas de fora do Brasil e consequentemente se fundiriam com a cultura já existente aqui.

Hoje esse conceito se tornou algo próximo do que conhecemos como globalização, temos acesso a muitas das culturas que existem por todo o mundo e isso se torna uma cultura global.

Esse fluxo de informação enriquece toda forma de expressão artística conseguindo trazer obras que sintetizam uma complexa trama de diferentes culturas, na maioria das vezes sem a consciência do próprio artista.

A dificuldade de dar gêneros às coisas existe e se torna um problema por conta disso, o gênero tende a convergir a algo, enquanto a arte contemporânea de forma orgânica diverge a muitas culturas.

Jaloo é um exemplo vivo disso, suas influências são tão difundidas que seria covardia envolvê-lo em gêneros existentes, seu trabalho é um retrato do jovem brasileiro contemporâneo de forma sincera, artística e autêntica.

Atualmente ele está preparando seu primeiro álbum onde terá a música “Ah! Dor!”, mas em seu EP Insight ele já deixa claro o rumo do seu trabalho, não falarei mais dele aqui, pois ele precisa ser vivenciado, isso terá que fazer por si só, o que posso falar é que a cada vez que escuto e assisto os seus clipes tenho a percepção de algo novo.